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O dia em que a criatura devorou o escritor

Por Zé Lobreiro·22 de abril, 2026·7 min de leitura

Todo escritor sabe: chega um momento em que a personagem se levanta da página e começa a dizer coisas que você nunca pensou. Nesse instante, ela deixou de ser sua.

A criação verdadeira não é ato de posse — é ato de entrega. Você abre a porta, o mundo entra, e quando você se dá conta, já não sabe mais quem está escrevendo quem.

Talvez seja assim com toda vida. Nascemos achando que somos os autores. Morremos descobrindo que fomos, o tempo todo, personagens de uma história maior.

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